Homenageado(a)s



M
arielda Medeiros, Eloah Brizolara e Marta da Luz Neves

          
Dilermando Martins Freitas

                                                                                         Texto: Rosemar Lemos


          Cidadão negro brasileiro, sempre com um sorriso no rosto, o Bacharel em Educação Física tem dedicado sua vida à preservação  da cultura negra.                                                               Humildade, sabedoria e tranquilidade fazem parte de suas características.  Um dos fundadores do Grupo Odara, o marido da professora Maritza Flores Ferreira Freitas sempre estará nos espaços que tenham por foco a vivência da herança cultural negra através da sonoridade, sejam estes em Pelotas ou na região circundante.  
         Ao falarmos de Dilermando referi-mo-nos também à ONG Odara. Em atividade há mais de quinze anos,  surgiu após a segunda edição do projeto “CABOBU” em 2000. No evento idealizado por Giba Giba, que homenageava carnavalescos Cacaio, Boto e Bucha, Mestre Batista – griô falecido há quatro anos -, sugeriu a criação do grupo “Filhos de Zumbi”. A ideia visava grupo de artístico, enfatizando a dança e a percussão. O debate evoluiu e houve a opção por “Odara”, referindo-se a um dos livros da escritora negra pelotense Maria Helena Vargas da Silveira. Em destaque, a valorização do instrumento de percussão “Sopapo”, resgatado por Batista nas edições do Cabobu (COGOY, 2017).                         
       Além de Dilermando Martins Freitas, também são fundadores: Mestre  Batista, Maria Batista; Suzete Medeiros; Marielda Medeiros; Jorge Alvacir Souza; Raquel Moreira Rita Dias e Maritza Flores Ferreira Freitas. Pouco tempo depois houve a participação de Antônio Carlos Pinto Rosa. Destaque ao professor, filósofo e poeta Miguel Delmar Dias (in memorian), colaborador engajado nas atividades do ODARA. Em 2001, a professora Marielda Medeiros, afastou-se para assumir função na administração popular. No percurso, faleceram Suzete e o pesquisador Jorge Alvacir. Durante boa parte da trajetória, a coordenação ficou a cargo de Dilermando, Maritza e Raquel. Na renovação, o empenho do jovem Bruno “Bruninho” Ferreira Freitas (COGOY, 2017).
          No último 18 de agosto, no lançamento do projeto “Conhecendo nossa história: da África ao Brasil”, de autoria da Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, O Mestre Dilermando juntamente com  a Griô Sirley Amaro  protagonizaram o cortejo com muita música acompanhada de percussão, partindo da Prefeitura Municipal e dirigindo-se até o Mercado Público de Pelotas. Neste evento, mais uma vez as raízes negras de Pelotas foram valorizadas e vivenciadas por todos os participantes.


Glênio Rissio

                                              Texto: Núcleo Popular de Jornalismo da Rádiocom 

          
          Sujeito tímido, de fala mansa, um cara muito antenado. Assim é Glênio Rissio, um agitador cultural, como ele se denomina. Cultura, para ele, tem que ser popular e, vai logo dizendo: “Cultura popular para mim, é a verdadeira cultura do povo”.                                                         Sempre envolvido com música, Glênio Rissio é também conhecido pelo seu faro e incrível sensibilidade musical.               Militante de rádio comunitária onde também é pioneiro no assunto, ajudou a fundar a RádioCOM, segunda radio comunitária que sugiu no dial dos pelotenses. Foi lá nos estúdios dessa FM, que ele notou um número incrível demos (cd de demostração) que chegava para acervo da rádio.   A partir desse contexto tomou conhecimento da grande diversidade cultural que tinha na cidade de Pelotas. Aí, como ele diz "é botar a cabeça para funcionar", conversando com os amigos e músicos, começou a pensar em projeto cultural com a participação dos artistas que estavam desorganizados e marginalizados pela falta de projetos. 

             Glênio ainda disse que " é grande a falta de reconhecimento dos artistas locais". Logo feita estas constatações ficou mais fácil, foi convocar a primeira reunião e começar. 

           Os músicos toparam na hora, então surgiu o projeto Arte Daqui, dois cds com artistas locais, masterizados aqui, com um projeto gráfico e de artes visuais também pelotenses, ou seja, um projeto popular e coletivo, feito por mãos de pelotenses.




Miguel Dias

                                                                            Texto: Jornalista Carlos Cogoy                                                          
          
MIGUEL DIAS após período enfermo, faleceu a 15 de outubro. Aos 43 anos, casado com a professora e doutoranda Raquel Silveira Dias, Miguel partiu cedo demais. Lembrado por amigos e companheiros, destacou-se na luta pela “negritude”. De acordo com a professora dra. Georgina Lima (UFPel): “Miguel da Raquel e Raquel do Miguel, uma forma de amar que transcende barreiras. Ambos formaram mais que um casal, talvez, uma canção, um gesto, um passo de dança, um poema, algo para ser sentido do que vivido… inesgotável”. A sindicalista Ernestina Pereira (Sindicato dos Trabalhadores Domésticos de Pelotas), menciona: “Miguel, ao fim dos anos oitenta, intregou o Grupo de Capoeira ‘Rhadobó Muguire’, que contava com Flavinho Bandeira e funcionava à Marquês de Queluz no Fragata.

          Estou muito triste com a partida do Miguel, que sempre foi firme e sincero nas lutas por igualdade racial e humana. Então, ressalto, Miguel, a luta vai continuar”. Ele cursou filosofia na UFPel, e foi um dos idealizadores do cursinho gratuito “Desafio”. Professor em São Lourenço do Sul, onde coordenou a área de filosofia, era mestrando no IFSul. A professora e pesquisadora Carla Ávila (UCPel), afirma que Miguel, como pesquisador, foi “criador da categoria ‘Negros em movimento’, que desenvolvi no trabalho de conclusão da especialização em sociologia e política”.        

          Miguel permanece em nós e reacende o nosso desejo de continuar as nossas caminhadas impregnadas de um senso político, ético, estético, que produz em nós muito mais encantamento, sedução e esperança do que o sentimento humano, mas não absoluto da dor. Nosso ‘Migs’, ‘Miguelzinho’, Miguel, enfim, nossa inspiração para ficarmos Odara. O Miguel nos inspira numa vida de religiosidade que nos religa ao mundo da fé, devoção e energias vitais que movem o mundo sem necessariamente institucionalizá-las, por isso, potente para a luta contra intolerância. Miguel, o pai da guerreira Dandara, nos ensinou a arte de crermos que nossos filhos são livres para as suas experiências sem tempo e duração para sê-las. O jovem Miguel nos diz o quanto é importante que a juventude negra sobreviva para construir experiências plurais, mas que tenha muito da sua história. Ele deixa um legado para a história do movimento negro. Um homem jovem, militante, como filósofo que era, vivia a interrogar as relações de injustiças colocadas na sociedade brasileira e pelotense. Miguel fazia uma militância radical por se valer de uma totalidade de estratégias bastante representativas da vida diaspórica de negros e negras”.


                                                           FOTOS EXTRAÍDAS DO JORNAL DIÁRIO DA MANHÃ





2016

                                                                                           Texto: Lucas Galho

         A cada ano, o grupo DEA, mediante votação popular da comunidade elege personalidades significantes para a população negra de Pelotas.         
          Assim que, neste ano serão homenageadas as senhoras: Marta da Luz Neves, Eloha Brizolara e Marielda Barcellos Medeiros, através de seus depoimentos na sessão solene, de um vídeo produzido por alunos do grupo Design, Escola e Arte que contarão um pouco de suas histórias bem como toda identidade visual do evento que terá a imagem das mesmas. 


Marta Neves



Fonte: mulheresempreendedorasdosul.com

Marta, 39 anos, perdeu a mãe quando tinha apenas cinco, e foi criada pelos avós, uma italiana e um descendente de negros que foram escravizados. Essa mistura, característica de inúmeras famílias brasileiras, trouxe algumas situações que ficaram marcadas na vida de Marta. O processo de aceitação não foi fácil. Durante muito tempo Marta se achou feia devido ao cabelo afro, ao nariz e a testa com características diferentes aos de suas primas que eram brancas. No entanto, Marta ressalta que hoje os tempos são diferentes e que sua filha possui o maior orgulho de seu cabelo e suas características. 
Moradora da periferia, se orgulha de suas raízes, de seu trabalho e de ser uma mulher guerreira que resiste contra tudo de errado que percebe no mundo. 

     Coordenadora do Grupo de Dança Renovação, Marta busca na dança uma ferramenta de inclusão, integração e auto estima para os moradores do Pestano, bairro onde mora. O grupo nasceu como uma atividade extra classe proposta pelo grêmio estudantil, e no início tinha a participação da direção da escola. No entanto, com o passar do tempo e com as trocas da direção, Marta abraçou o grupo e se tornou a coordenadora do mesmo.


Fonte: http://diariodamanhapelotas.com.br/

        A dança se faz presente na vida da homenageada desde os 9 anos de idade, onde na escola Francisco Caruccio, começou a fazer aulas de jazz com a professora Sílvia. Passou pela ginástica rítmica, pela aeróbica, chegando a dança afro, de onde tira suas referências para levar ao grupo que coordena. 

Há 14 anos que o Grupo Renovação existe e se constitui como um ato de resistência através da arte. Por meio das camisetas do grupo, que levam sempre alguma frase de motivação, Marta acredita que os jovens alunos possam ser vistos como espelhos pela comunidade, incentivando outros jovens a buscar a dança como ferramenta de empoderamento. 


Eloah Brizolara



Fonte: pibpel.com.br/

Filha de pais separados, Eloah foi criada pela avó paterna, na estância onde a família trabalhava. Após alguns anos, foi para a cidade com uma família adotiva que a colocou em uma escola para iniciar seus estudos. Porém, o pai biológico de Eloah exigiu que ela fosse retirada da escola pois tinha receio que após aprender a ler e escrever, a filha fosse escrever carta para homens. 

Depois de algum tempo, Eloah conheceu seu primeiro namorado, que viria a ser seu marido. Constituiu família e depois de casada, teve a oportunidade de estudar por meio do MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização). Com o apoio de marido que cuidava dos filhos para que pudesse estudar, Eloah aprendeu a ler e escrever. 
Pertencente a primeira Igreja Batista de Pelotas, a homenageada realiza um trabalho com crianças e adultos por meio da religião, onde oferece alimento a quem precisa, sempre com o apoio da comunidade. Apesar de se sentir uma pessoa realizada, Eloah lembra que passou por momentos difíceis quando trabalhava em casas de família, onde o preconceito se mostrava presente de forma explícita. A diferença de tratamento entre brancos e negros ia desde a louça onde ambos comiam até a constatação feita por ela de que os empregados à época eram todos negros. 
Durante 45 anos, Eloah residiu na rua Andrade Neves e se dedicou a tornar melhor a vida de quem precisava, levando comida e arte à população menos favorecida. Ainda hoje, realiza sopão e campanha do agasalho junto à Igreja Batista de Pelotas, onde mostra toda a força da mulher negra na cidade de Pelotas. 


Marielda Barcellos Medeiros





Marielda é nascida e criada no bairro Simões Lopes, em Pelotas, onde desde criança mantém uma relação afetiva com o espaço onde mora, principalmente com o viaduto do Simões, bem como com a igreja Nossa Senhora Aparecida onde, aos 14 anos de idade, começou com a sua militância junto ao movimento negro político organizado, através dos agentes de pastorais negros aos quais ela conheceu posteriormente.
Marielda ressalta a importância cultural que o bairro Simões Lopes traz com a sua história. Dentre as inúmeras manifestações culturais atreladas à ele, destacam-se a Academia do Samba, o Bafo da Onça e a Escola de Samba Mirim Unidos do Simões Lopes. 



Fonte: http://profluizrobertocorrea.blogspot.com.br/
     
      Através de sua atuação na comunidade, todos esses movimentos realizam um trabalho cultural e social de extrema importância com os moradores do bairro. 
Desde o início de sua militância, Marielda participou de vários momentos importantes para a história do negro em Pelotas. Um deles, foi a participação na construção de um projeto de lei do ano de 1995, que institucionalizava o ensino da cultura afro-brasileira e africana nas escolas municipais de Pelotas. Professora desde os 16 anos, foi por meio deste projeto e através de seu trabalho como educadora, que Marielda procurou desenvolver nos espaços educativos onde atuava um fortalecimento desta história e desta cultura.
Como coordenadora do Conselho Estadual da Comunidade Negra, trouxe para Pelotas a primeira Pré-conferência Estadual da Comunidade Negra, onde foram abordados diversos temas pertinentes à sociedade, potencializando, dessa forma, a militância negra no estado. Ainda como educadora, foi membro da Secretaria Municipal de Educação, bem como da Secretaria Estadual de Educação, espaços de luta e resistência acerca da história e cultura afro-brasileira. 



 








2015

Jornalista e Radialista "Machado" - Carlos Alberto Machado Goulart, o pintor e escultor "Vandico" - Elvandir Santos Caldeira e o músico e compositor "Giba Giba" (in memoriam) - Gilberto Amaro do Nascimento




2014

Griô Shirley Amaro,  Sra. Ernestina Pereira e as Professoras Negras da UFPel 

Em 2014 o Grupo Design, Escola e Arte irá homenagear aquelas que fazem, das questões raciais, uma luta constante em suas vidas. Logo, a Griô Shirley Amaro, a Sra. Ernestina Pereira e as Professoras Negras da UFPel serão agraciadas por nossas homenagens, visto que as mesmas lutam pela defesa dos direitos da população negra, preservação da cultura e, suas ações focam-se nos direitos não só da população negra de nossa cidade, mas de todos os desprivilegiados da sociedade.



2013

MESTRE BAPTISTA  

Neives Meirelles Baptista, carinhosamente chamado de Mestre Batista, nasceu em 1936, natural de Pelotas, filho de dona de casa e um oleiro, teve uma infância simples, mas de muitas brincadeiras na qual aprendeu o oficio do pai e se divertiu com o agitado carnaval pelotense. Em 1954 prestou serviço militar em Bagé, e lá compôs o primeiro samba “2º Esquadrão”. Após o período militar trabalhou em diversos empregos, foi oleiro em uma fabrica de vidro, taxista, ajudante de caminhoneiro e encontrou a sua vocação na profissão de motorista de ônibus, onde trabalhou até se aposentar.
Depois de sua aposentadoria, Mestre Batista, resgatou um instrumento que há muito tempo já era esquecido no carnaval da cidade, o tambor sopapo. Reconhecedor da história do Tambor Sopapo, também era responsável por sua fabricação. Figura importante do carnaval de Pelotas autuou em varias funções; foi ritmista, ensaiador e mestre de bateria em escolas de samba. Suas atividades como Mestre Griô foram desenvolvidas durante oficinas ministradas em escolas da periferia da cidade, onde passava os seus conhecimentos sobre a cultura afro.  Ao mesmo tempo realizava oficinas de percussão, com ensinamentos sobre fabricação e manuseio de instrumentos musicais de origem africana. Outro trabalho realizado pelo Mestre foi o samba de roda, que resgatava músicas antigas que eram cantadas na senzala e outras que foram passadas de família. Com a finalidade de aprimorar seus conhecimentos na música o mestre fez um curso de dois anos de violão clássico e popular, no Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Figura singular na cidade de Pelotas, Mestre Batista, negro, griô e luthier do Sopapo, Xavante e Gremista, contribuiu com o resgate e a valorização da cultura afro, na cidade e região Sul do RS.

Referencias Bibliográficas:
SECRETARIA DE CULTURA DO RIO GRANDE DO SUL. Disponível em: http://www.cultura.rs.gov.br

RUBINEI MACHADO




Rubinei da Silva Machado, militante do movimento Negro de Pelotas, tinha um longo currículo de atividades ligadas à cultura - Afro. 
Foi presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, diretor cultural do Clube Cultural Fica Ahaí Pra Ir Dizendo, membro do Fórum #Cotassim Pelotas. 
Esteve a frente de projetos que motivaram tanto a criatividade artística e cultural e a troca de ideias, explicitando reflexões sobre discriminação e preconceito. Foi debatedor constante a respeito da justiça, dignidade e reparação a comunidade negra.
Faleceu em agosto de 2013. Mas seu legado permanece e incentiva a luta pela igualdade de oportunidades para o povo negro pelotense.

Referências Bibliográficas:

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