Homenageado(a)s



M
arielda Medeiros, Eloah Brizolara e Marta da Luz Neves

                                                                           Texto: Lucas Galho

         A cada ano, o grupo DEA, mediante votação popular da comunidade elege personalidades significantes para a população negra de Pelotas.         
          Assim que, neste ano serão homenageadas as senhoras: Marta da Luz Neves, Eloha Brizolara e Marielda Barcellos Medeiros, através de seus depoimentos na sessão solene, de um vídeo produzido por alunos do grupo Design, Escola e Arte que contarão um pouco de suas histórias bem como toda identidade visual do evento que terá a imagem das mesmas. 


Marta Neves



Fonte: mulheresempreendedorasdosul.com

Marta, 39 anos, perdeu a mãe quando tinha apenas cinco, e foi criada pelos avós, uma italiana e um descendente de negros que foram escravizados. Essa mistura, característica de inúmeras famílias brasileiras, trouxe algumas situações que ficaram marcadas na vida de Marta. O processo de aceitação não foi fácil. Durante muito tempo Marta se achou feia devido ao cabelo afro, ao nariz e a testa com características diferentes aos de suas primas que eram brancas. No entanto, Marta ressalta que hoje os tempos são diferentes e que sua filha possui o maior orgulho de seu cabelo e suas características. 
Moradora da periferia, se orgulha de suas raízes, de seu trabalho e de ser uma mulher guerreira que resiste contra tudo de errado que percebe no mundo. 

     Coordenadora do Grupo de Dança Renovação, Marta busca na dança uma ferramenta de inclusão, integração e auto estima para os moradores do Pestano, bairro onde mora. O grupo nasceu como uma atividade extra classe proposta pelo grêmio estudantil, e no início tinha a participação da direção da escola. No entanto, com o passar do tempo e com as trocas da direção, Marta abraçou o grupo e se tornou a coordenadora do mesmo.


Fonte: http://diariodamanhapelotas.com.br/

        A dança se faz presente na vida da homenageada desde os 9 anos de idade, onde na escola Francisco Caruccio, começou a fazer aulas de jazz com a professora Sílvia. Passou pela ginástica rítmica, pela aeróbica, chegando a dança afro, de onde tira suas referências para levar ao grupo que coordena. 

Há 14 anos que o Grupo Renovação existe e se constitui como um ato de resistência através da arte. Por meio das camisetas do grupo, que levam sempre alguma frase de motivação, Marta acredita que os jovens alunos possam ser vistos como espelhos pela comunidade, incentivando outros jovens a buscar a dança como ferramenta de empoderamento. 


Eloah Brizolara



Fonte: pibpel.com.br/

Filha de pais separados, Eloah foi criada pela avó paterna, na estância onde a família trabalhava. Após alguns anos, foi para a cidade com uma família adotiva que a colocou em uma escola para iniciar seus estudos. Porém, o pai biológico de Eloah exigiu que ela fosse retirada da escola pois tinha receio que após aprender a ler e escrever, a filha fosse escrever carta para homens. 

Depois de algum tempo, Eloah conheceu seu primeiro namorado, que viria a ser seu marido. Constituiu família e depois de casada, teve a oportunidade de estudar por meio do MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização). Com o apoio de marido que cuidava dos filhos para que pudesse estudar, Eloah aprendeu a ler e escrever. 
Pertencente a primeira Igreja Batista de Pelotas, a homenageada realiza um trabalho com crianças e adultos por meio da religião, onde oferece alimento a quem precisa, sempre com o apoio da comunidade. Apesar de se sentir uma pessoa realizada, Eloah lembra que passou por momentos difíceis quando trabalhava em casas de família, onde o preconceito se mostrava presente de forma explícita. A diferença de tratamento entre brancos e negros ia desde a louça onde ambos comiam até a constatação feita por ela de que os empregados à época eram todos negros. 
Durante 45 anos, Eloah residiu na rua Andrade Neves e se dedicou a tornar melhor a vida de quem precisava, levando comida e arte à população menos favorecida. Ainda hoje, realiza sopão e campanha do agasalho junto à Igreja Batista de Pelotas, onde mostra toda a força da mulher negra na cidade de Pelotas. 


Marielda Barcellos Medeiros





Marielda é nascida e criada no bairro Simões Lopes, em Pelotas, onde desde criança mantém uma relação afetiva com o espaço onde mora, principalmente com o viaduto do Simões, bem como com a igreja Nossa Senhora Aparecida onde, aos 14 anos de idade, começou com a sua militância junto ao movimento negro político organizado, através dos agentes de pastorais negros aos quais ela conheceu posteriormente.
Marielda ressalta a importância cultural que o bairro Simões Lopes traz com a sua história. Dentre as inúmeras manifestações culturais atreladas à ele, destacam-se a Academia do Samba, o Bafo da Onça e a Escola de Samba Mirim Unidos do Simões Lopes. 



Fonte: http://profluizrobertocorrea.blogspot.com.br/
     
      Através de sua atuação na comunidade, todos esses movimentos realizam um trabalho cultural e social de extrema importância com os moradores do bairro. 
Desde o início de sua militância, Marielda participou de vários momentos importantes para a história do negro em Pelotas. Um deles, foi a participação na construção de um projeto de lei do ano de 1995, que institucionalizava o ensino da cultura afro-brasileira e africana nas escolas municipais de Pelotas. Professora desde os 16 anos, foi por meio deste projeto e através de seu trabalho como educadora, que Marielda procurou desenvolver nos espaços educativos onde atuava um fortalecimento desta história e desta cultura.
Como coordenadora do Conselho Estadual da Comunidade Negra, trouxe para Pelotas a primeira Pré-conferência Estadual da Comunidade Negra, onde foram abordados diversos temas pertinentes à sociedade, potencializando, dessa forma, a militância negra no estado. Ainda como educadora, foi membro da Secretaria Municipal de Educação, bem como da Secretaria Estadual de Educação, espaços de luta e resistência acerca da história e cultura afro-brasileira. 



 








2015

Jornalista e Radialista "Machado" - Carlos Alberto Machado Goulart, o pintor e escultor "Vandico" - Elvandir Santos Caldeira e o músico e compositor "Giba Giba" (in memoriam) - Gilberto Amaro do Nascimento




2014

Griô Shirley Amaro,  Sra. Ernestina Pereira e as Professoras Negras da UFPel 

Em 2014 o Grupo Design, Escola e Arte irá homenagear aquelas que fazem, das questões raciais, uma luta constante em suas vidas. Logo, a Griô Shirley Amaro, a Sra. Ernestina Pereira e as Professoras Negras da UFPel serão agraciadas por nossas homenagens, visto que as mesmas lutam pela defesa dos direitos da população negra, preservação da cultura e, suas ações focam-se nos direitos não só da população negra de nossa cidade, mas de todos os desprivilegiados da sociedade.



2013

MESTRE BAPTISTA  

Neives Meirelles Baptista, carinhosamente chamado de Mestre Batista, nasceu em 1936, natural de Pelotas, filho de dona de casa e um oleiro, teve uma infância simples, mas de muitas brincadeiras na qual aprendeu o oficio do pai e se divertiu com o agitado carnaval pelotense. Em 1954 prestou serviço militar em Bagé, e lá compôs o primeiro samba “2º Esquadrão”. Após o período militar trabalhou em diversos empregos, foi oleiro em uma fabrica de vidro, taxista, ajudante de caminhoneiro e encontrou a sua vocação na profissão de motorista de ônibus, onde trabalhou até se aposentar.
Depois de sua aposentadoria, Mestre Batista, resgatou um instrumento que há muito tempo já era esquecido no carnaval da cidade, o tambor sopapo. Reconhecedor da história do Tambor Sopapo, também era responsável por sua fabricação. Figura importante do carnaval de Pelotas autuou em varias funções; foi ritmista, ensaiador e mestre de bateria em escolas de samba. Suas atividades como Mestre Griô foram desenvolvidas durante oficinas ministradas em escolas da periferia da cidade, onde passava os seus conhecimentos sobre a cultura afro.  Ao mesmo tempo realizava oficinas de percussão, com ensinamentos sobre fabricação e manuseio de instrumentos musicais de origem africana. Outro trabalho realizado pelo Mestre foi o samba de roda, que resgatava músicas antigas que eram cantadas na senzala e outras que foram passadas de família. Com a finalidade de aprimorar seus conhecimentos na música o mestre fez um curso de dois anos de violão clássico e popular, no Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Figura singular na cidade de Pelotas, Mestre Batista, negro, griô e luthier do Sopapo, Xavante e Gremista, contribuiu com o resgate e a valorização da cultura afro, na cidade e região Sul do RS.

Referencias Bibliográficas:
SECRETARIA DE CULTURA DO RIO GRANDE DO SUL. Disponível em: http://www.cultura.rs.gov.br

RUBINEI MACHADO




Rubinei da Silva Machado, militante do movimento Negro de Pelotas, tinha um longo currículo de atividades ligadas à cultura - Afro. 
Foi presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, diretor cultural do Clube Cultural Fica Ahaí Pra Ir Dizendo, membro do Fórum #Cotassim Pelotas. 
Esteve a frente de projetos que motivaram tanto a criatividade artística e cultural e a troca de ideias, explicitando reflexões sobre discriminação e preconceito. Foi debatedor constante a respeito da justiça, dignidade e reparação a comunidade negra.
Faleceu em agosto de 2013. Mas seu legado permanece e incentiva a luta pela igualdade de oportunidades para o povo negro pelotense.

Referências Bibliográficas:

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